«Quem não renunciar a todos os seus bens, não pode ser meu discípulo.»
Jesus está a caminho de Jerusalém, onde será julgado, morto, sepultado e finalmente ressuscitará. No percurso, encontra diversas realidades e, ao passar, acompanha o povo com os seus ensinamentos. Nos versículos anteriores, é narrado que os convidados se desculpam para não ir ao banquete, mas o festim já está preparado; os servos são enviados para convidar os que estão pelos caminhos, ruas e praças, para encher a casa, porque a gratuidade, a hora, o kairós do Reino de Deus não pode esperar.
No domingo passado, lemos que Jesus explicava por que não devemos ocupar os primeiros lugares, e exortava: «Quando deres um banquete, convida os pobres e os aleijados… e serás feliz, porque eles não te podem retribuir; a tua recompensa virá na ressurreição dos justos.»
No evangelho de hoje, XXIII Domingo do Tempo Comum, Jesus continua em movimento, peregrinando com muita gente. Olhando-os, disse-lhes (v. 26): «Se alguém vem a mim e não odeia o seu pai, a sua mãe… e até a sua própria vida, não pode ser meu discípulo.» Jesus exige, no seguimento, uma entrega total (entendida como desprendimento que liberta): o amor por Ele e pelo Reino deve estar acima de outros amores, chegando a renunciar a si mesmo e a vencer todo egoísmo. Ou seja, numa conversão permanente, num processo de se tornar discípulo, de se construir como discípulo, com os irmãos, em comunidade, juntos como Igreja.
No v. 27, convida a carregar a própria cruz e seguir o Mestre como condição de discipulado, reconhecendo que Ele levou primeiro a cruz de toda a humanidade, e portanto a nossa cruz. Para nós, a cruz é fidelidade ao Evangelho no dia a dia, quando as dificuldades da vida se tornam pesadas, mas confiando naquele que nos amou primeiro. E renovando a entrega, o amor, para além das circunstâncias, sustentados no seu amor, na sua bondade e misericórdia.
Os versículos de 28 a 32 apresentam exemplos de pessoas que se previnem antes de iniciar um projeto. Devemos fazer o mesmo: não se trata de um seguimento ingênuo, mas ativo, confiante, sério e responsável, que exige reflexão constante e corajosa, especialmente quando seguir Cristo exigir, em algumas circunstâncias, dar a vida (martírio). Em outros casos, os mais comuns, o seguimento de Jesus é um compromisso contínuo que dura toda a vida: vamos entregando-a diariamente, não apenas como renúncia, mas como doação de amor aos outros, que nos conduz a uma vida duradoura junto d’Ele.
Finalmente, no v. 33, afirma que o discípulo deve renunciar a todos os seus bens para segui-lo, de modo que o coração pertença somente a Deus. O Senhor exige um coração indiviso, livre de apegos, para poder amar, servir e partilhar.
Perguntamo-nos: ¿qué lugar ocupa Jesus na minha vida? Estou disposto(a) a colocá-lo como centro da minha vida, mesmo que isso implique renúncias e incompreensões?
Não desanimemos: seguir Cristo na fidelidade é graça e dom. Jesus vai capacitando o discípulo para um amor radical que nos abre à verdadeira liberdade.
Irmã Fanny Calderón Pérez
Província Santa Rosa de Lima













