E se o joio não vencer?
E se o joio não vencer?
O Evangelho começa com uma imagem cheia de vida: um semeador que semeia boa semente. Deus sempre inicia sua obra semeando o bem, com sonhos de eternidade, de esperança no coração das pessoas. A parábola deste domingo nos recorda que a Palavra, a mensagem de Deus, não é passado, mas um eco vivo no nosso presente. O que Jesus disse “ontem” é o guia vivo que precisamos escutar hoje, um espelho da nossa realidade atual.
Desde a origem da nossa Congregação, as irmãs se entregaram a um projeto de VIDA, uma vocação, um sonho — o de Deus — que, no carisma de Domingos de Gusmão e do Pe. Coll, encontra inspiração para continuar trabalhando no campo, buscando semear o melhor trigo. Ao longo dos anos e nas diferentes realidades, isso nunca deixou de acontecer. No entanto, às vezes experimentamos a dor do agricultor: a dolorosa realidade de ver como alguns, movidos por outros interesses, ameaçam sufocar tantos anos de esforço e entrega. O campo da parábola representa a nossa própria vida, onde convivem intenções nobres, virtudes e amor (o trigo) junto com medos, egoísmo e feridas (o joio).
O olhar de Deus não se fixa primeiro nas nossas limitações, mas no potencial de vida que Ele colocou em nós. O dono diz aos servos quando querem arrancar o joio: “não, para que, ao recolher o joio, não arranqueis também o trigo”. Aqui somos chamados à prudência. Há batalhas que, se forem travadas com as mesmas armas de poder e violência usadas pelo joio, acabarão destruindo a própria essência. Embora a parábola diga que “um inimigo fez isso”, apenas nos recorda que o mal e a ambição existem e que, quando se infiltram, causam um dano real.
O inimigo semeia o joio precisamente porque o campo é fértil e o trigo é de alta qualidade. A vida entregue não perde seu valor por causa da presença do joio. A entrega continua sendo pura e sagrada, mesmo quando sofremos injustiças. O Dono do campo também sofre.
Diz o dono aos servos: “guardai o trigo no meu celeiro”. Quanta esperança encontramos nessas palavras! O desfecho, que ainda está por vir, não depende daqueles que hoje têm o poder. O sucesso aparente é passageiro. O que é valioso, nobre, a entrega, já tem um lugar seguro e indestrutível nas mãos de Deus.
Em meio a tudo, há esperança: o que é autêntico, o que é dado com amor e retidão, permanece guardado no “celeiro” (no coração de Deus). Quão grande é a sabedoria do Dono ao decidir que a melhor forma de combater o joio não é atacando-o, mas fazendo com que o trigo seja tão forte, profundo e maduro que o joio não consiga sufocá-lo!
Hoje somos chamados a priorizar, a cuidar do que permanece, a manter nossa integridade e a proteger aqueles que realmente valorizam a semeadura do trigo. O joio não define o nosso campo. O inimigo age na sombra, mas a boa semeadura continua sendo nossa e de Deus.
Nossa tarefa não é lutar frontalmente contra aqueles que buscam a si mesmos, nem destruir o joio, mas resistir, fortalecer nossas raízes e continuar nutrindo a vida boa. A semeadura ainda não terminou. O fruto de uma vida entregue com retidão é eterno e está seguro no celeiro de Deus. O tempo da colheita colocará cada coisa em seu lugar.
Confiamos, Senhor, que Tu és o justo Juiz e que nenhum ato de amor verdadeiro se perderá. Mantém nossos olhos fixos na colheita final, com a certeza de que o trigo prevalecerá sobre o joio.
Ir. Belén Quesada
Provincia Rosa Santaeugenia













