Assim que começamos a falar do sentido do tempo, da paciência necessária para que o Reino possa germinar, muitos são tentados a cair numa forma de indiferença espiritual, pois pensam que basta deixar as coisas seguirem o seu curso e, no fim, tudo acabará por se resolver. No entanto, a atitude de Cristo é bem diferente. Ele conhece o peso da nossa condição humana. Sabe quão lento é o nosso caminhar e quanto é necessário retomar incessantemente a tarefa. Mas esta aceitação, cheia de amor, daquilo que somos tem como contrapartida a urgência de nos ver comprometer-nos, desde já, na direção certa. É com um profundo sentido de urgência que Ele chama os seus discípulos a porem-se imediatamente a caminho. Se este caminho é longo, tanto maior é a razão para fazer sem demora a escolha radical que se impõe. Os nossos recuos e as nossas paragens ao longo do caminho nunca devem pôr em causa essa escolha; tal é o urgente convite deste domingo.
É precisamente esta escolha radical que a primeira leitura, tirada do primeiro livro dos Reis (3, 5.7-12), coloca em evidência. O rei Salomão acaba de subir ao trono de Israel; Deus aparece-lhe em sonho e convida-o a pedir o que desejar. Em vez de pedir riquezas, uma longa vida ou a morte dos seus inimigos, Salomão pede «um coração atento». Esta humildade agrada a Deus, que lhe concede a sabedoria necessária para discernir o bem do mal, bem como tudo o mais por acréscimo. Para nós, isto é um convite a orientar as nossas próprias orações para a procura da vontade divina. O Salmo 118 (119) prolonga este mesmo pedido, celebrando o amor pela Palavra e pela lei de Deus. Assim, o salmista proclama que os preceitos divinos são mais preciosos do que o ouro e a prata, porque seguir a lei de Deus é um dom que protege o homem e se torna para ele uma verdadeira fonte de felicidade e de sabedoria.
São Paulo, na Carta aos Romanos (8, 28-30), vem confirmar estes dois textos, recordando que «tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus», porque, na verdade, o amor de Deus é o verdadeiro tesouro que nos precede e nos acompanha. Além disso, revela-nos que a realização do desígnio de Deus é que sejamos «conformes à imagem do seu Filho».
Por fim, o Evangelho segundo São Mateus (13, 44-52) põe em destaque esta procura de Deus através das parábolas do tesouro escondido num campo e da pérola de grande valor. O que delas retemos é isto: encontrar o Reino dos Céus exige fazer uma escolha radical. O homem que descobre o tesouro, tal como o mercador que encontra a pérola, vende tudo o que possui para a adquirir. É por isso que, quando descobrimos o valor inestimável da mensagem de Cristo, tudo o resto se torna secundário. Isto exige um esforço de discernimento e a coragem de nos desprendermos de tudo aquilo que é incompatível com a vida cristã.
Sem cessar, hesitamos em voltar-nos verdadeiramente para Deus. Peçamos-Lhe que nos ajude a orientar decididamente a nossa vida para Ele. Apesar das nossas fraquezas, poderemos então retomar o caminho com perseverança, convencidos de que, no fim deste percurso, conheceremos a verdadeira vida.

Ir. Nathalie Dossou
Vicariato São Francisco Coll













