Segundo domingo da Páscoa – 12 de abril de 2026

O Segundo Domingo da Páscoa, também conhecido como Domingo da Divina Misericórdia, convida-nos a contemplar profundamente o amor misericordioso de Deus manifestado na Ressurreição de Cristo. No Evangelho (João 20,19-31), vemos como Jesus ressuscitado se apresenta aos seus discípulos oferecendo paz e enviando-os a anunciar a Boa Nova. A sua palavra principal é: “A paz esteja convosco”. Além disso, mostra as feridas da sua paixão, sinal visível da misericórdia que o levou a entregar-se por nós.

A misericórdia divina que celebramos hoje — um amor que vai ao encontro, cura as feridas e transforma o medo em fé — implica, a nível pessoal, abrir o coração à experiência do perdão, da reconciliação e da confiança no amor infinito de Deus. É um convite a reconhecer as nossas próprias limitações, erros e feridas, para permitir que a misericórdia divina nos transforme e nos impulsione a viver com humildade e compaixão para com os outros. Posso perguntar-me:

  • De que maneira posso abrir-me mais à misericórdia de Deus na minha vida diária?
  • Como posso praticar a misericórdia nas minhas ações quotidianas, especialmente com aqueles que me são difíceis?
  • Como posso ajudar os outros a descobrir que, mesmo no meio da dor, a misericórdia divina está presente e atua?

Também, a misericórdia é uma força divina que nos impulsiona a ser agentes de reconciliação e paz no meio das feridas do mundo; desafia-nos a viver como testemunhas fiéis do amor de Deus, especialmente num mundo que muitas vezes se sente ferido, fragmentado ou sem esperança. Convida-nos a não responder à violência com mais violência, mas a agir com justiça, perdão e solidariedade, a olhar o outro com olhos renovados, reconhecendo a dignidade humana para além do conflito ou da diferença, e a ser artesãos da paz nas nossas comunidades, isto é: ser canais vivos da misericórdia para todos, especialmente para os mais necessitados.

Além disso, a experiência de Tomé no Evangelho, que precisa tocar as feridas de Jesus para crer, fala-nos da necessidade de confrontar a realidade do sofrimento, sem negá-la nem anestesiá-la, para descobrir aí a presença curadora e libertadora de Deus. Num mundo ferido, a misericórdia divina oferece-nos a certeza de que nenhuma ferida é tão profunda que o amor de Deus não possa curar.

Celebrando o Ano Vocacional, esta festa da Misericórdia adquire um significado especial. A vida consagrada que escolhemos é uma resposta concreta e diária a essa misericórdia que experimentámos e que somos chamadas a anunciar e encarnar com o nosso carisma de pregação, ensino e serviço. A nossa missão evangelizadora nasce do encontro pessoal com o Senhor que perdoa, restaura e reconcilia.

Em suma, celebrar a Misericórdia Divina hoje significa renovar a nossa confiança no poder transformador do amor, comprometer-nos a vivê-lo nas nossas ações diárias e ser canais desse amor para um mundo que tanto o necessita.

Que, inspirados pelo Espírito Santo, sigamos o exemplo de São João, o discípulo amado, e abramos o nosso coração à experiência transformadora da misericórdia divina, para assim comunicá-la com alegria e fidelidade a todos os cantos do mundo.

Ir.  Dorothée Béatrice ANZIE

Casas dependentes da Priora Geral

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Publicado:

abr 10, 2026