Neste quarto domingo do Advento, a Palavra de Deus nos conduz ao cerne mesmo do mistério do Natal: Deus vem habitar a nossa humanidade, e o faz de uma forma humilde, inesperada e discreta.
Na primeira leitura, Isaías anuncia um sinal espantoso: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe colocarão o nome de Emmanuel”, isto é, Deus-conosco. Este sinal não é uma demonstração de poder; é a presença suave de Deus que se une ao seu povo no meio das inquietações e das ameaças. Além disso, este texto revela que o rei Acaz negou pedir um sinal para não colocar o Senhor à prova. Pois, para o crente, é o próprio Senhor que dará um sinal, já que os sinais que pedimos podem, por vezes, carregar egoísmo. O sinal que procede do Senhor, por sua vez, permanece cheio de amor e vai além de nossa imaginação: o sinal fatídico que nos é dado aqui é o parto de Emmanuel, do “Deus-conosco” pela Virgem Maria.
É nessa mesma linha que o Salmo 23 (24) faz eco da vinda gloriosa do Senhor, que é o rei da glória, a quem pertencem o mundo e a sua riqueza, a terra e todos os seus habitantes. Trata-se de um convite para sermos um povo que não entrega a sua alma aos ídolos enquanto espera a vinda do Senhor, e que busca sinceramente o Senhor com um coração puro e com as mãos inocentes. Ao mesmo tempo, o salmo proclama: “Eis o povo que procura a tua face, Senhor.” Todo o tempo do Advento nos ensinou a buscar essa face, a ampliar o nosso desejo de Deus e a purificar o nosso coração para que se torne uma morada acolhedora. Que nos deixemos ainda mais impregnar por essa presença iminente do Salvador.
A segunda leitura, tirada da carta de São Paulo aos Romanos (1,1-9), enfatiza que o apóstolo das nações nos lembra que Jesus é ao mesmo tempo verdadeiro Deus e verdadeiro Homem. Sendo da descendência de Davi, Ele compartilha da condição humana em tudo, exceto o pecado. Sobretudo, através d’Ele temos uma filiação divina que nos concede a graça e a missão apostólica de propagar o nome de Jesus no mundo inteiro e de levar à obediência da fé. Assim, recebemos a graça e a missão de testemunhar isso.
Quanto ao Evangelho de Mt 1.18-24, esse nos abre ao nascimento de Jesus, uma forma de nos mostrar já que o Natal está à nossa porta. Aquele que toma o corpo é o cumprimento perfeito da promessa de Deus que age pelo Espírito Santo em favor de seu povo amado. O Senhor salva esse povo pelo nascimento de Jesus do seio da Virgem Maria, prometida em casamento a José, filho de David e homem do silêncio. O Evangelista nos faz entrar no silêncio interior de José. Tudo parece desmoronar para ele, mas no coração da noite, Deus lhe fala. José aceita acolher um acontecimento que não compreende plenamente. Ele escolhe obedecer, confiar, abrir sua vida a um desígnio maior que ele próprio. E é por meio desse “sim” silencioso que Emmanuel pode entrar em nossa história. Assim, o Senhor não deixa de nos dizer, como disse a José através do anjo: “não temas”. Há, portanto, necessidade de uma grande confiança em Deus, já que os acontecimentos que ocorrem na vida do crente estão para que se cumpra a palavra do Senhor pronunciada pelo profeta. É por isso importante, para o amado de Deus, manter a fé neste Domingo, pois “eis que a Virgem conceberá, e dará à luz um filho, e lhe colocarão o nome de Emmanuel”. Mantenhamo-nos acordados e hoje peçamos a graça de um coração disponível como José, a graça de uma confiança que deixa Deus agir. Então, o Senhor poderá nascer em nossas casas, em nossos relacionamentos, em nosso mundo que tanto precisa de paz.
Ir. TCHOUGNIA NELLY CONSTANCE, OP














