Quanta alegria brota na família, quando nasce um novo integrante! Aquele pequeno que, durante nove meses, foi apenas esperança e espera, agora pode ser visto, carregado e acariciado. Essa alegria humana, tão simples e tão grande, é apenas um reflexo da alegria que deveria inundar o coração de todos os cristãos nesta Solenidade do Natal. Pois o Filho de Deus quis nascer como um de nós; quis assumir a nossa fragilidade e compartilhar plenamente a nossa condição humana.
As leituras deste dia estão cheias de júbilo: “Os confins da terra contemplaram a salvação do nosso Deus. Aclamai o Senhor, terra inteira; gritai de alegria” (Sl 97,3-4). Esta é uma alegria que só nasce da contemplação profunda do mistério que celebramos hoje.
O autor da carta aos Hebreus nos recorda que Deus, “tendo falado de muitas maneiras, agora nos falou por meio de seu Filho; Ele é o reflexo de sua glória e a expressão exata de seu ser” (Hb 1,1-3). Para nós, este mistério é impressionante: o próprio Deus se revela em Jesus Cristo, sua Palavra viva, “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14).
O Natal deve ser um tempo de profunda gratidão: Deus se aproximou, fez sua morada entre nós e quis compartilhar a nossa história. Contemplar o Menino de Belém — pequeno, frágil, sem um lugar digno para nascer — é entrar no coração do próprio mistério divino. Ali, no humilde e no pequeno, Deus se faz próximo e compreensível.
No entanto, em um mundo cada vez mais barulhento e apressado, corremos o risco de reduzir o Natal a um simples evento consumista. Deixamo-nos atrair pelas ofertas, pelos presentes, pelas mesas fartas e pelas celebrações externas, esquecendo o mais importante: o Deus que vem ao nosso encontro, silencioso e humilde.
As palavras de São João continuam ressoando com força: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo 1,11). Muitas vezes, deixamo-nos envolver por um Natal superficial, perdendo de vista o seu Centro. Viver autenticamente o Natal é contemplar o mistério de um Deus que se faz Menino pobre, simples e indefeso; um Deus que nos convida a reconhecê-lo em tantas crianças e famílias que hoje ainda carecem de condições dignas de vida.
Celebremos este Natal amando mais, abraçando mais, partilhando mais. Olhemos com ternura para quem está ao nosso lado e com generosidade para quem sofre. Contemplemos o Deus que se revela a nós em seu Filho Jesus, e a partir daí anunciemos com nossa vida o que contemplamos, para que possamos dizer, com verdade e esperança: Feliz Natal!

Irmã María Santos Martínez, O.P.
Província São Martinho de Porres













