Três palavras sobre a Paixão de acordo com São Lucas: perdão, hoje e espírito.
O Domingo de Ramos abre solenemente a Semana Santa, com a lembrança das Palmas e da Paixão, da entrada de Jesus em Jerusalém e a liturgia da palavra que evoca a Paixão do Senhor no Evangelho de São Mateus.
Foi a proclamação do amor de um Deus que desce conosco ao abismo da falta de sentido, do pecado e da morte, do grito absurdo de Jesus em seu abandono e extrema confiança. Foi uma proclamação ao mundo pagão, ainda mais realista porque o poder da Ressurreição podia ser medido por ela.
A procissão é, acima de tudo, um testemunho alegre que oferecemos a Jesus Cristo, por meio de quem a Face de Deus se tornou visível para nós e por meio de quem o coração de Deus se abriu para todos nós. No Evangelho de Lucas, a narrativa do início da procissão nos arredores de Jerusalém é modelada, em alguns pontos literalmente, no rito de coroação com o qual, de acordo com o Primeiro Livro dos Reis, Salomão foi declarado herdeiro da realeza de Davi (cf. 1 Reis 1:33-35). Dessa forma, a procissão das Palmas é também uma procissão de Cristo Rei: professamos a realeza de Jesus Cristo, reconhecemos Jesus como o Filho de Davi, o verdadeiro Salomão, o Rei da paz e da justiça. Reconhecê-Lo como Rei significa aceitá-Lo como Aquele que nos mostra o caminho, Aquele em quem confiamos e seguimos. Significa aceitar, dia após dia, Sua palavra como um critério válido para nossa vida. Significa ver Nele a autoridade à qual nos submetemos. Nós nos submetemos a Ele porque Sua autoridade é a autoridade da verdade.
Acima de tudo, a procissão das palmas é, como foi naquela ocasião para os discípulos, uma manifestação de alegria, porque podemos conhecer Jesus, porque Ele nos permite ser Seus amigos e porque Ele nos deu a chave da vida. Essa alegria, que está na origem, também é uma expressão de nosso “sim” a Jesus e de nossa disposição de caminhar com ele para onde quer que ele nos leve. A exortação no início de nossa liturgia interpreta corretamente o significado da procissão, que também é uma representação simbólica do que chamamos de “seguir Cristo”: “Peçamos a graça de segui-lo”, dissemos. A expressão “seguir a Cristo” é uma descrição de toda a existência cristã em geral. O que significa “seguir a Cristo” em termos concretos?
Irmã Mercedes Rax Cucul
Comunidade, Fray Martín de Porres, El Salvador
Província de São Martinho de Porres













