«E vós, quem dizeis que Eu sou?» (Lc 9,20)

O Evangelho do XII Domingo do Tempo Comum coloca-nos diante de uma das perguntas mais importantes que Jesus dirige aos seus discípulos: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» Esta pergunta atravessa os séculos e chega também ao nosso coração. Não se trata de uma questão teórica nem de uma prova de conhecimentos religiosos. Jesus deseja conhecer a resposta que nasce da experiência pessoal, da amizade e do encontro com Ele. Cada cristão é chamado a responder com a própria vida quem é Jesus, e dessa resposta nasce o caminho concreto da vocação.
Pedro responde em nome dos discípulos: «O Messias de Deus». Contudo, compreender verdadeiramente quem é Jesus implica muito mais do que reconhecer a sua identidade. Por isso, imediatamente depois, o Senhor anuncia a sua Paixão e explica que segui-Lo significa percorrer um caminho de entrega, amor e fidelidade. «Se alguém quer vir após Mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz cada dia e siga-Me.» Estas palavras mostram que seguir Cristo não consiste em procurar o sucesso ou o conforto, mas em aprender a amar como Ele amou.
A vocação à vida consagrada encontra aqui uma luz especial. Toda vocação nasce de uma pergunta e de um encontro. Antes de chamar alguém a deixar tudo, Jesus revela-Se como o sentido mais profundo da vida. Somente quem descobriu que Cristo é o seu maior tesouro pode responder generosamente ao convite de segui-Lo mais de perto. A vida consagrada não é simplesmente uma opção entre muitas possibilidades; é uma resposta de amor Àquele que nos amou primeiro.
Quando uma pessoa consagrada professa os conselhos evangélicos de pobreza, castidade e obediência, está a proclamar com a própria vida quem é Jesus para ela. A pobreza afirma que Cristo é a verdadeira riqueza; a castidade consagrada manifesta que o seu amor preenche plenamente o coração; a obediência exprime a confiança de que a vontade de Deus conduz à verdadeira liberdade. Estes compromissos podem parecer exigentes aos olhos do mundo, mas nascem de uma profunda experiência de fé e da certeza de que vale a pena entregar toda a vida ao Senhor.
Numa sociedade marcada pelo individualismo, pela ânsia de possuir e pela procura constante de satisfação imediata, a vida consagrada torna-se um sinal profético. Os religiosos e religiosas recordam à Igreja e ao mundo que Deus continua a chamar, que o Evangelho pode ser vivido radicalmente e que a verdadeira felicidade se encontra na entrega generosa de si mesmo.
Este Evangelho convida-nos também a rezar pelas vocações. A Igreja necessita de homens e mulheres que, fascinados por Cristo, estejam dispostos a segui-Lo com um coração indiviso. Peçamos ao Senhor que continue a suscitar novas vocações para a vida consagrada e que conceda aos jovens a coragem de escutar o seu chamamento. Que Maria, mulher do «sim» generoso, acompanhe todos aqueles que procuram descobrir a vontade de Deus e responder-lhe com alegria, confiança e fidelidade.

Irmã Gliceria Punongbayan
Casas dependentes da Prioresa Geral













