Mt 5,13-16 – Sal e luz da terra
O Papa Francisco, referindo-se ao texto de Mateus, intitula-o: “A santidade do dia a dia”: ser sal e luz para os outros.Sem dúvida, é um grande desafio para cada um de nós e nos convida a estar atentos a como torná-lo realidade.
Num mundo onde ultimamente vivemos a dor e a angústia da guerra, da violência, das drogas, da falta de sentido da vida e de outras realidades, perguntamo-nos: o que fazer e como ser a luz e o sal que Jesus nos pede?
Mas Jesus não nos pede que resolvamos tudo. Podemos rezar, e até fazer algum sacrifício para alcançar a paz, mas… salvar o mundo? Jesus nos pede para ser sal e luz no cotidiano, junto daqueles com quem partilhamos a vida e a missão. Ele nos pede para mudar o mundo com nossa atitude de proximidade para com nossos irmãos e irmãs.
Por que e para que serve o sal? O sal ajuda a conservar os alimentos, mas é preciso apenas um pouquinho; sua função é temperar e depois desaparecer na preparação do alimento. Isso nos chama a ser como o sal: estar a serviço de quem precisa de nós e também ser humildes, pois quando somos sal para os outros, não é que a pessoa muda de vida por nossa ação, mas é um convite para que se abra à ação de Deus, que é quem age e nos ajuda a ser Suas testemunhas e construtores desses novos céus e dessa nova terra que Deus também espera.
No Antigo Testamento, fala-se da Aliança do sal, que era a aliança de Deus com Israel, pois era duradoura e garantia a permanência do povo escolhido por Deus (Nm 18,19), e a oferenda era temperada para recordar essa aliança perpétua.
Por isso, os discípulos de Jesus são chamados sal da terra, porque fazem o mundo entrar na Aliança de Deus.
O mesmo acontece com a luz, que ilumina onde há escuridão e fechamento: dar luz para que a vida floresça e para que sejamos protagonistas da mudança.
Deus nos ilumina para que iluminemos os outros, sempre com gestos de proximidade que se traduzem num olhar cheio de luz e alegria, num tempo partilhado, na visita a uma pessoa necessitada, doente e, muitas vezes, a pessoas que se sentem sozinhas. Um tempo partilhado com os mais próximos, com aqueles com quem dividimos a vida, o que às vezes é mais difícil do que com os distantes.
Esta é a santidade do dia a dia e o convite de Jesus para que cumpramos nossa missão. Os frutos da luz são: bondade, justiça, verdade, amor e esperança. Vamos viver dificuldades para ser sal e luz, pois a mudança não é fácil, mas não estamos sozinhos: é Jesus quem acompanha nossa ação e é Ele quem renova cada amanhecer nosso. Colocamo-nos em Suas mãos.
Um exemplo de como ser luz e sal encontramos nos santos, que já gozam da presença de Deus e continuam sendo modelos para nossa vida. Na nossa família dominicana, temos muitos exemplos dessa intercessão; hoje damos graças por eles, modelos de santidade, e pedimos que nos acompanhem sempre.
Por fim, o Papa Francisco nos propõe uma oração para cada dia: Hoje, fui luz e sal para os outros? Uma oração de ação de graças e de súplica para que essa seja nossa missão com a ajuda d’Ele.
Oração final:
Ajuda-me, Senhor, a ser sal e luz para os outros.
Que meus olhos sejam os teus,
que meu abraço transmita força,
que meu sorriso te aproxime dos outros,
que minhas mãos levem tuas carícias,
que meus pés abram caminhos para Ti
e que tua bênção dê força à nossa missão. Amém.













