Celebramos hoje o segundo domingo da Páscoa, que é o da festa da Divina Misericórdia. Cristo ressuscitou verdadeiramente dentre os mortos! Ele detém o Poder e a Realeza sobre o universo. Esta revelação é feita pelo próprio Jesus ao apóstolo João na segunda leitura deste domingo. “Eu sou o Primeiro e o Último, o Vivente; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos, e tenho as chaves da morte e do Hades.” Ap 1, 18-19. É a vitória de Cristo sobre a morte, da Luz sobre as Trevas, da Verdade sobre a mentira… Cristo está vivo e convida cada um de nós a entrar nesta vida nova que Ele quer nos comunicar, oferecendo-nos a sua Paz. Sim, “a paz esteja convosco!” diz Jesus três vezes no Evangelho de São João aos discípulos que se tinham trancado por medo dos judeus.
Ainda hoje, Jesus Cristo renova para cada um de nós esta paz face a todas as incertezas da vida, face ao medo do amanhã, das situações de violência e de injustiça que paralisam o mundo. Somos chamados a caminhar na Esperança , não uma esperança passiva, mas numa esperança que nos leva para um mundo melhor. Em consequência, é o envio em missão dos discípulos para serem as testemunhas da Redenção, daquilo que viram, tocaram e contemplaram da ressurreição de Cristo. O Ressuscitado está presente e age pelos seus discípulos. Os múltiplos sinais resplandecentes operados pelos apóstolos no excerto dos Atos dos Apóstolos submetido à nossa meditação são uma confirmação. E muitas pessoas “aderiram ao Senhor pela fé” Até 5,14 graças ao anúncio do Kerigma pascal. Assim, pelo poder do Espírito Santo e pelo dom da Palavra de Deus, a Misericórdia de Deus manifestou-se ao mundo para o perdão dos pecados; Para que todo homem possa se reconciliar com seu Criador. Através do sacramento da confissão, temos em plenitude a misericórdia de Deus. Cabe a nós, hoje, sermos os mensageiros desta mensagem de graça, como São Domingos e São Francisco COLL.
Nessa jornada espiritual, intervém a fé, que nos permite entrar em comunicação com Deus. Santo Agostinho dizia que a primeira graça que recebemos é o dom da fé. O homem precisa depositar sua fé em Deus, na ressurreição de Cristo, para se deixar guiar à Verdade. Mas, ao mesmo tempo, a fé não é algo irrefletido, pelo contrário, a fé nos convida a refletir, a questionar certas concessões, certas ideologias mundanas. Os desvios que daí decorrem nos obrigam a passar por uma reflexão crítica para progredir e sair dos esquemas que nos afastam da verdade do Evangelho, para um retorno ao Evangelho de Jesus Cristo. “A fé e a razão são como as duas asas que permitem ao espírito humano elevar-se à contemplação da verdade”, dizia São João Paulo II em sua encíclica “Fides et Ratio”. A dúvida de Tomé nos ensina, ainda hoje, a prática da reflexão crítica para alcançar uma convicção da nossa fé. Trata-se da dúvida que nos eleva à fé. Duvidar para crer. Que o Senhor abra a inteligência do nosso coração para as realidades celestiais!
Bom Domingo da Divina Misericórdia!
Marthe A. ABADAHOUE
Comunidade de Abidjan – Costa do Marfim













