“A Palavra de Deus é viva e eficaz” (Hb 4,12)
Esta frase bíblica conserva ainda hoje toda a sua força. Com o passar do tempo, sua mensagem não se desgasta: permanece viva, dinâmica e capaz de transformar vidas. A Palavra de Deus penetra no mais profundo do coração, ilumina as intenções, edifica, cura e guia aqueles que se abrem a ela. A Palavra de Deus não é um texto estático, mas uma força viva que produz frutos naqueles que a escutam e a colocam em prática.
Essas qualidades estão presentes nas leituras deste IV Domingo do Tempo Comum. Todas elas trazem em si uma força que não se apaga, sempre incisiva e provocadora.
As três leituras convergem para uma mesma mensagem: a simplicidade, a humildade, aquilo que parece “pequeno”, que alcança sua plenitude nas Bem-aventuranças do Evangelho (Mt 5,1-12). Seu conteúdo é inesgotável e oferece sempre novas ressonâncias, trazendo a luz necessária para os tempos que vivemos.
A felicidade sempre foi um anseio profundo do ser humano. No entanto, os caminhos para alcançá-la costumam ser muito diferentes. Jesus nos propõe um caminho bem concreto: Ele o inicia, o percorre e deixa nele suas pegadas. Sua vida é o reflexo perfeito da encarnação das Bem-aventuranças.
Em seu tempo, elas foram contraculturais, e continuam sendo hoje. Não coincidiam — nem coincidem — com os ideais de uma sociedade que busca o poder, o dinheiro, a popularidade ou o crescimento às custas dos outros.
As Bem-aventuranças refletem-se com toda a sua intensidade na vida e na obra de Jesus. Elas são seu perfil e seu projeto, que Ele propõe àqueles que o seguem e desejam continuar a construção do seu Reino.
Cada vez que nos deparamos com este texto evangélico, descobrimos novas ressonâncias, pois cada momento da vida é diferente. Elas são um chamado constante a sermos pessoas mais simples, mais humanas e transparentes, com fome de justiça e paz, e com entranhas de misericórdia…
Este caminho, voltado mais para o ser do que para o fazer, prometido por Jesus, conduz à verdadeira felicidade, não apenas na vida futura, mas já desde agora, porque é o próprio Deus quem deseja e quer o nosso bem (Jo 11,15).
Irmã. Rolindes González OP
Província de São Raimundo de Penaforte













