“Jesus se junta a nós no nosso dia a dia”
Neste terceiro domingo da Páscoa, as Escrituras nos apresentam Cristo sob diversas facetas: no evangelho segundo São João, ele é aquele que se aproxima de seus discípulos na margem do lago de Tiberíades, ajudando-os após uma noite de pesca infrutífera (Jo 21, 1-19). É o mesmo Cristo que, na segunda leitura, recebe no céu a adoração dos anjos e dos anciãos (Ap 5, 11-14). Ele é, enfim, aquele a quem os Apóstolos prestam testemunho na primeira leitura perante as autoridades judaicas (At 5, 27-41).
Embora ressuscitado, Jesus ainda era percebido como uma figura ameaçadora pela elite religiosa de Jerusalém, a ponto de que, ensinar no seu nome era proibido e seus discípulos seriam presos. No entanto, a Igreja dos Apóstolos, fortalecida pelo Espírito Santo recebido em Pentecostes, afirmava com resolução sua identidade e sua fidelidade ao Evangelho. Os Apóstolos realizavam atos surpreendentes em nome de Jesus, batizavam e curavam com a convicção de que não há outro nome pelo qual devamos ser salvos. Levados perante o Sinédrio por terem transgredido a proibição de pregar a palavra de Jesus Cristo, eles justificam seu ato por obediência a Deus. As autoridades religiosas, desconfiadas das declarações de Pedro e seus companheiros, estavam exasperadas e então decidiram deixá-los morrer, mas a intervenção de Gamaliel os salva temporariamente. De fato, o discurso de Gamaliel, alertando seus contemporâneos contra sua hostilidade para com os discípulos, nos convida a refletir sobre nossa própria atitude em relação àqueles que se dizem de Deus. Assim, a perseguição, longe de enfraquecer a fé dos apóstolos, torna-se uma oportunidade de testemunho e de unidade graças ao Espírito Santo.
Na segunda leitura (Ap 5, 11-14), a visão de João apresenta o reconhecimento da soberania de Deus num louvor universal a Cristo, onde toda a criação se une para glorificar a Deus e o Cordeiro. É uma visão que revela a dignidade divina e o poder salvífico de Jesus, Ele que é adorado pelos anjos e pelos anciãos. Doravante, o nosso caminho cristão é marcado pela presença do Ressuscitado nas nossas vidas. Se seguirmos os seus mandamentos e reconhecermos a sua presença, os nossos esforços darão frutos em abundância. A familiaridade com Cristo é essencial para transformar as nossas dificuldades em alegria e conduzir-nos ao festim eterno. O exemplo dos Apóstolos nos convida a considerar a nossa fé como um ato de obediência a Deus e a testemunhar corajosamente Jesus Cristo, animados pelo Espírito Santo.
O evangelho segundo São João relata a terceira aparição do Ressuscitado à beira do lago de Tiberíades, onde ele se junta a Pedro e a outros discípulos após uma noite infrutífera. Foi durante a pesca que Cristo havia escolhido Pedro como apóstolo. O evangelho nos leva de volta ao lugar onde tudo começou na vocação de Pedro para confirmar não só a sua missão de pescador de homens, mas também e sobretudo, a partir desse momento, a sua missão de pastor das ovelhas do Senhor. Da mesma forma, Jesus junta-se a nós no nosso dia a dia para transformar as nossas “pescas infrutíferas” em “pescas abundantes”, as nossas insatisfações, os nossos desesperos e as nossas ruínas em esperança. No entanto, é necessário seguirmos as suas instruções e obedecermos à sua palavra como Pedro o fez.
Oremos ao Senhor para que nos conceda, na familiaridade com Ele, a força do compromisso pessoal e coletivo, e um coração atento à sua palavra, lâmpada para os nossos passos e luz para o nosso caminho. Amém.
Fidèle NGO MBOG
Comunidade de Bembéréké – Benín
Vicariato São Francisco Coll













