«Cristo eleva-se ao Céu e envia-nos a transformar a terra.»
Os textos litúrgicos de hoje convidam-nos a contemplar o mistério de Cristo glorificado, vencedor da morte, que abre à humanidade o caminho do céu.
Na primeira leitura, a Ascensão é descrita como um acontecimento ao mesmo tempo visível e misterioso: Jesus eleva-se diante dos Apóstolos, marcando o fim da sua presença física na terra. Cristo glorificado não abandona os seus, mas inaugura um novo modo de presença, mais interior e universal. Para o salmista, Deus «eleva-se entre aclamações». É um canto de vitória que evoca a realeza de Cristo, já não limitada a Israel, mas estendida a todas as nações. A Ascensão é, assim, uma festa da esperança: o céu já não é inacessível, pois o Filho de Deus abriu-lhe as portas.
Esta esperança é aprofundada na segunda leitura, onde o autor da Epístola aos Hebreus apresenta Cristo como o Sumo Sacerdote que entra no santuário celestial. O Seu sacrifício único dá-nos «plena confiança» para nos aproximarmos de Deus, purificados e renovados.
No Evangelho, depois de abrir a inteligência dos discípulos às Escrituras, Jesus abençoa-os e convida-os a ser suas testemunhas antes de se elevar acima deles. A separação torna-se a espera de uma presença mais profunda. Pela Ascensão, compreendemos que a nossa vida cristã se situa entre dois polos: a contemplação de Cristo glorificado e o compromisso concreto no mundo, na expectativa do seu regresso.
Assim, a Ascensão é, ao mesmo tempo, uma festa da esperança e um chamado à missão. Cristo, glorificado, atrai-nos para o Pai e envia-nos a anunciar o seu Reino, sustentados pelo poder da sua presença misteriosa, mas real.
Neste dia, a Igreja recorda-nos que o céu é a nossa pátria e que a nossa caminhada na terra já é iluminada pela luz da Ressurreição.
Ir. Regina Emeline ABITAN
Comunidade de Nylon – Camarões













