Primeira leitura: Isaías 61,1-3a
Salmo responsorial: 28 (27),1.3.6.9
Segunda leitura: 2 Timóteo 2,22-26
Evangelho segundo São Lucas: 12,22-34
Hoje, 19 de maio, celebramos a festa de São Francisco Coll, nosso amado Fundador, dentro do contexto do «Ano vocacional congregacional», por ocasião dos 170 anos da fundação das Dominicanas da Anunciação.
As leituras desta festa nos levam a refletir sobre a Providência de Deus, sobre a missão e sobre a maneira de agir do discípulo crente.
A primeira e a segunda leitura nos falam da missão do servo de Deus, totalmente entregue aos mais desfavorecidos, e da maneira como ele deve comportar-se para que seu testemunho seja crível e de acordo com a Boa Nova.
No Evangelho, Jesus nos chama a confiar radicalmente na Providência divina, abandonando a preocupação excessiva e ansiosa com os bens materiais. Ele não condena o trabalho diligente nem a prudência responsável, mas sim a ansiedade excessiva que rouba a paz e é inútil, já que não podemos prolongar nem um pouco a nossa vida. Ele ilustra isso com dois exemplos da criação: os corvos, que não semeiam nem colhem, mas Deus os alimenta, ressaltando que a provisão não depende apenas do esforço humano, mas também da graça divina; e os lírios, que não trabalham nem fiam, mas cujas vestes são muito mais esplendorosas do que as de Salomão. Se Deus cuida assim da erva passageira, quanto mais cuidará de nós! Confiar no Senhor, confiar que Ele conhece as nossas necessidades, muda as prioridades: «Buscai antes o seu Reino, e essas coisas vos serão dadas por acréscimo».
O Pe. Coll, como confirmam muitos testemunhos, demonstrou uma confiança absoluta em Deus ao longo de sua vida; ela o sustentou nas provações e incentivou seus projetos. Recordemos duas de suas frases mais conhecidas que refletem isso: «A Anunciata é obra de Deus» e «Se é vontade de Deus que eu seja cego, ainda que pudesse recuperar a visão tocando os olhos com os dedos, não o faria». E nós, confiamos no Senhor? Entregamo-nos à sua graça? Ou, pelo contrário, as preocupações nos esmagam?
A passagem termina com uma nota de esperança e ação prática. O «Pequeno Rebanho» é uma expressão de ternura. Ela reconhece a fragilidade numérica e emocional dos discípulos em um mundo hostil, mas Jesus assegura que ao Pai «agrada» dar-lhes o Reino, eliminando o medo do futuro. O Reino não é conquistado nem é uma recompensa pelo mérito, mas um presente do amor de Deus. Como anda a nossa esperança? Percebemos o Reino como um presente ou como algo que devemos conquistar com nosso esforço e sacrifício?
Vender para dar: Jesus convida a uma generosidade radical. Ao compartilhar com os necessitados, «fabricam-se bolsas que não envelhecem» e acumula-se um tesouro inesgotável no céu. A maneira como alguém usa os seus bens revela onde está a sua verdadeira esperança. Jesus conclui seu ensinamento com uma verdade fundamental: «Onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração». E o nosso coração, onde está?
Que o Espírito do Senhor fortaleça nossa confiança n’Ele e que, como filhas do Padre Coll, imitemos suas virtudes e sigamos seus ensinamentos.
Irmã M. Núria Cuéllar
(Comunidade «Sant Francesc Coll». Vic – Residência)













