O evangelista Lucas nos apresenta uma parábola que nos desconcerta. Quando vemos uma atitude “corrupta” da parte do administrador, que deveria agir corretamente, continuamos a leitura esperando uma reprovação. Mas o texto segue e, em vez de se arrepender, o administrador vai além e continua usando os bens de seu senhor em benefício próprio. Aqui, talvez, já esperássemos uma dupla desaprovação.
No entanto, de repente, o texto diz que o senhor elogia o administrador injusto porque ele agiu com esperteza, mostrando ser alguém capaz de compreender a essência das coisas e agir com visão de futuro.
Ele age movido pela necessidade: percebe que sua relação com os concidadãos não dependia de suas próprias ações, mas do poder que o senhor lhe havia confiado. Sem dinheiro, está perdido. Então decide estabelecer uma nova relação com os vizinhos, baseada na cooperação. Talvez seja pouco sensato buscar relações autênticas apoiando-se em uma riqueza que hoje existe e amanhã pode não existir.
Jesus não parece preocupado com a perda econômica do senhor rico. Pelo contrário, destaca a lição que o administrador oferece: a prioridade das relações humanas sobre a organização econômica.
Já se passaram dois mil anos e tomamos como certo que alguns possuem terras e outros as trabalhem em troca de medidas de azeite e cargas de trigo; que alguns têm dinheiro e outros o usam para devolver ainda mais dinheiro. Criamos leis para garantir que o “senhor rico” não seja enganado e, ao mesmo tempo, que o administrado possa sobreviver. Talvez, como sociedade, ainda não tenhamos aprendido a nos organizar de outro modo, mas nós, crentes, somos convidados a fundamentar nossa vida em relações autênticas com nossos irmãos.
Como administrador, podemos nos ver diante da escolha entre servir a dois senhores: ao senhor rico ou ao bem comum. A proposta de Jesus já conhecemos: fazer amigos, ou seja, trabalhar pelo bem comum. A riqueza do mundo deve servir para isso: o dinheiro como meio, não como fim. E Jesus deixa isso bem claro: não dá para fazer um pouco de cada coisa.
Que o Senhor nos conceda a sabedoria de usar os bens materiais como instrumentos de amor e serviço, construindo assim um mundo mais fraterno.
Xavier Batlle Pèlach
Direção área gestão Bem Comum FEDAC
Provincia San Raimundo de Peñafort













