Estar preparados enquanto esperamos
Na parábola evangélica das dez virgens, todas esperavam o noivo, mas apenas cinco levaram óleo de reserva para suas lâmpadas. A princípio, parecia que todas estavam fazendo a mesma coisa. Todas esperavam encontrar o noivo, todas tinham lâmpadas e todas aguardavam sua chegada. No entanto, quando o noivo demorou mais do que o esperado, a diferença na preparação de cada uma ficou evidente.
Isso nos recorda que, em nossa vida cristã, não basta começar bem. Também é importante aprender a perseverar, especialmente quando as coisas não acontecem como esperamos. Às vezes, começamos algo novo com entusiasmo. Temos boas intenções, planos claros e o desejo de dar o melhor de nós mesmos. Mas, com o passar do tempo, nosso entusiasmo pode diminuir, nossas responsabilidades podem se tornar cansativas e aquilo que antes fazíamos com alegria pode passar a fazer parte da rotina. É nesse momento que nossa fidelidade é colocada à prova: não apenas no começo, mas também nos dias comuns, quando não há nada de especial para nos encorajar.
Um detalhe do Evangelho que me chama a atenção é que as dez virgens sentiram sono e adormeceram. Até mesmo aquelas que estavam preparadas passaram pela experiência da demora. Talvez estar vigilantes não signifique que precisamos nos sentir sempre fortes, atentos ou prontos em todos os momentos. Pelo contrário, significa preparar-nos antes mesmo de saber quando essa preparação será necessária. Em nosso relacionamento com Deus, essa preparação acontece por meio das pequenas coisas do dia a dia: nossa oração, nossas responsabilidades, nossos relacionamentos com os outros e as escolhas que fazemos mesmo quando ninguém está olhando. Essas coisas podem parecer simples, mas, com o tempo, ajudam a formar nosso coração e a manter viva a nossa fé.
A primeira leitura, do Livro da Sabedoria, nos recorda que a sabedoria se deixa encontrar por aqueles que a procuram. Procurá-la exige paciência e abertura para aprender. Nem sempre compreendemos tudo imediatamente, e nem sempre sabemos qual é o melhor caminho a seguir. Mas podemos continuar buscando a sabedoria de Deus nas situações que vivemos e permitir que ela oriente nossas decisões. Estar preparados para o Senhor não significa ter todas as respostas. Significa permanecer dispostos a escutar, aprender e deixar-nos conduzir por Ele.
A segunda leitura, da Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses, nos recorda a esperança que temos na ressurreição de Jesus. Nossa espera como cristãos não consiste simplesmente em ter medo do desconhecido ou em nos preocuparmos com quando o Senhor virá. Esperamos com esperança porque acreditamos naquele que venceu a morte. Essa esperança dá sentido à nossa fidelidade cotidiana, mesmo quando enfrentamos dificuldades ou não conseguimos ver os resultados de nossos esforços.
Talvez o desafio do Evangelho seja nos perguntar o que estamos fazendo com o tempo que nos foi dado. É fácil adiar aquilo que consideramos importante, pensando que sempre haverá outra oportunidade. Podemos adiar a reconciliação, os gestos de bondade, uma vida de oração mais fiel ou até mesmo as mudanças que sabemos que precisamos fazer. No entanto, a preparação para o encontro com o Senhor não é algo que possamos deixar para a última hora. Ela vai sendo construída pouco a pouco, por meio da maneira como escolhemos viver cada dia.
À medida que continuamos nossa caminhada de fé, que aprendamos a ser fiéis não apenas quando tudo é fácil ou quando nos sentimos inspirados, mas também quando os dias são comuns e a espera parece longa. Não sabemos quando o Senhor virá, mas podemos escolher como viver enquanto esperamos. Que mantenhamos nossas lâmpadas acesas por meio de uma fé alimentada pela oração, fortalecida pela esperança e expressa no amor, para que, quando o Noivo chegar, nos encontre preparados para acolhê-lo.
Irmã Clarizza Agmaliw, OP












