“Amarás o teu próximo como a ti mesmo”
Mt.22,34-40
Já estamos na reta final do ano litúrgico, neste 30º Domingo do Tempo Comum. As semanas avançam, e a Igreja nos conduz progressivamente para a conclusão do ano, um tempo de maturidade espiritual em que somos convidadas a fazer um balanço e a discernir o que é verdadeiramente importante em nosso seguimento do Senhor.
Nesta etapa do caminho, o Evangelho vai concluindo o ensinamento de Jesus em Jerusalém. No domingo passado, ouvimos como tentaram armar-lhe uma cilada com a moeda do imposto devido a César, recordando-nos a necessidade de «dar a Deus o que é de Deus», isto é, a nossa própria vida, que traz impressa a sua imagem. No próximo domingo, o Senhor nos alertará contra a incoerência e as aparências, criticando aqueles que questionam o modo de agir dos outros, mas não movem um dedo para ajudar.
É precisamente entre essas duas advertências que se situa a Palavra de hoje. Olhando para trás, podemos perguntar-nos: Colocamos o amor no centro da nossa rotina diária e da nossa oração, ou, às vezes, nos desgastamos com preocupações secundárias, tarefas organizativas ou com o simples cumprimento das nossas obrigações?
O Mestre não se perde em discussões; ele nos aponta a pedra angular de toda a nossa vida cristã e consagrada: o Amor. Mas sabemos bem que o amor tem seu próprio processo de amadurecimento pessoal. Já não amamos como quando éramos jovens. Aqueles impulsos dos primeiros anos, cheios de entusiasmo, de projetos a realizar e da necessidade de demonstrar os nossos sentimentos, foram dando lugar, pouco a pouco, a um amor diferente: um amor que vai ao essencial, que já não precisa de tantas explicações nem de fazer muito barulho, mas que se mede pela fidelidade perseverante, pela presença serena e pela aceitação madura da vida e dos outros.
A primeira leitura, do livro do Êxodo, concretiza esse mandamento de maneira clara e incisiva: Deus escuta o grito do estrangeiro, da viúva, do órfão e daquele que está endividado.
Amar a Deus é absolutamente inseparável de acolher e cuidar da fragilidade humana. Na sociedade espanhola de hoje, muitas vezes acelerada e dividida, onde tantas pessoas sofrem, o Evangelho não nos pede grandes feitos que estejam além das nossas possibilidades, mas a ternura de quem aprendeu a amar nas pequenas coisas. Obrigada, Senhor, pelo crescimento no AMOR que realizaste em nós!
Ao olharmos para o dia a dia das nossas comunidades, precisamos questionar-nos: Como vivemos hoje esse amor maduro? Reconhecemos o rosto de Deus na irmã com quem partilhamos o mesmo teto, acolhendo com paciência as limitações próprias da idade, da doença ou do desgaste ao longo do caminho? Na convivência diária, o mandamento principal se traduz hoje na capacidade de acompanhar em silêncio, de perdoar, de agradecer e de simplesmente permanecer ao lado umas das outras.
Ao mesmo tempo, com a perspectiva que os anos nos dão, o nosso coração continua batendo no ritmo dos «estrangeiros» e das pessoas vulneráveis da nossa sociedade? A nossa oração, humilde e fiel, é um canal de intercessão constante pelas dores do nosso mundo, ou somos, por vezes, tentadas a refugiar-nos num recolhimento autocentrado?
O mandamento também nos recorda que devemos amar o próximo «como a nós mesmas». Nesse processo pessoal de amadurecimento do amor, sabemos acolher com serenidade a diminuição das nossas próprias forças, amar a nossa fragilidade atual e permitir que cuidem de nós com humildade e gratidão?
São Paulo elogiava os Tessalonicenses porque, em meio a muitas tribulações, conservaram a alegria do Espírito Santo, e a sua fé ressoava por toda parte. Nesta etapa do ano litúrgico, mesmo que as nossas forças físicas já não sejam as de antes, as nossas comunidades maduras e dedicadas continuam sendo um testemunho precioso: o de um amor que resistiu à prova do tempo e se tornou puro e transparente.
Obrigada, Senhor, pela paz e pela alegria que nos concedes ao renovarmos o nosso SIM. Ajuda-nos a amar-te de todo o coração e a manifestar o teu AMOR na fidelidade de cada irmã e na entrega de cada dia.
Irmã María Dolores Virgel
Província Rosa Santa Eugenia












