A liturgia deste vigésimo domingo do tempo comum convida-nos a contemplar um Deus que ultrapassa todas as fronteiras e abre a sua salvação a todos os povos. As leituras falam-nos de acolhimento, de perseverança na fé e de misericórdia universal. Revelam-nos que o amor de Deus não conhece limites e convidam-nos a viver essa abertura no quotidiano.
Na primeira leitura, o profeta Isaías destaca o acolhimento que Deus reserva ao estrangeiro, pois aqueles que se apegam ao Senhor serão recebidos no seu monte santo. Ensina-nos assim que a casa de Deus é uma «casa de oração para todos os povos». Deus não faz distinção de raça, de cultura ou de estatuto; acolhe cada um, e a sua salvação é destinada a todos. À imagem desta casa, as nossas comunidades são chamadas a tornar-se lugares de acolhimento e de abertura.
Na segunda leitura, são Paulo sublinha, por sua vez, a universalidade da misericórdia divina, que se estende a todos, judeus e pagãos. Recorda-nos que os dons de Deus são irrevogáveis e que ninguém está excluído da sua misericórdia. Apesar da resistência de Israel, Deus não abandona o seu povo; pelo contrário, serve-se dessa situação para abrir aos pagãos a porta da salvação. O desígnio de Deus pode parecer incompreensível, mas permanece sempre guiado pelo amor. Podemos afastar-nos d’Ele; ainda assim, Ele permanece fiel, e a sua misericórdia é mais forte do que as nossas recusas, as nossas infidelidades e as nossas resistências. Estende-se a todos, crentes e não crentes, cristãos e não cristãos. Somos assim convidados a acreditar na fidelidade de Deus.
O evangelho, por seu lado, convida-nos a perseverar na fé, pois uma fé perseverante obtém sempre resposta. São Mateus mostra-nos uma mulher cananeia a suplicar a Jesus a cura da sua filha. Embora encontre obstáculos, ela não desanima e, apesar das provações, insiste, crê e persevera na oração, convicta de que Jesus pode salvar a sua filha. Essa insistência humilde acaba por ser atendida. Assim, Jesus, reconhecendo a sua grande fé, concede-lhe a cura esperada. Retemos deste episódio que a verdadeira fé é humilde e perseverante; nunca desanima perante as provações. A cananeia dá-nos esse exemplo. Trata-se de crer, de insistir, de esperar mesmo quando Deus parece calar-se.
Que Deus nos conceda a graça de perseverar com humildade na oração, mesmo nos momentos sombrios da nossa vida, de acolher aqueles que são diferentes de nós e de testemunhar, através dos nossos gestos quotidianos, a sua misericórdia universal.
Irmã Agnès GOA
Vicariato São Francisco COLL













